sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Início de um sonho (Lucas)

Amanhece mais um dia em Twinleaf, a cidade começa a despertar, mas Lucas já estava acordado, não dormiu nada na ultima noite, ele nem estava em sua cama. O garoto estava na sala, em frente a um altar negro, apenas observando a chama de uma pequena vela consumir o resto da parafina. No sofá, perto dele, estava Lara, mãe do garoto, era para a mulher estar acordada também, mas ela acabou adormecendo no meio da noite. Lucas deixou a mãe dormir, ele não precisaria da ajuda dela quando o fogo se apagasse.

Quando o sol finalmente conseguiu entrar pela janela da pequena sala, o fogo finamente se apagou. O garoto respirou fundo e deu uma última olhada no retrato sobre o altar. Nele havia uma foto e na moldura estava escrito:

‘Rodrigo Yue’

― Adeus pai. ― Lucas deitou a moldura sobre o altar e retirou o móvel de pedra da sala, fazendo tudo em silêncio para não acordar Lara. Levou o altar para o porão e retirou a foto da moldura. O garoto voltou até a sala e sua mãe estava despertando.

Os dois trocaram um olhar triste e Lucas entregou a foto para a mãe. Contudo Lara não pegou o retrato e o deixou no sofá. Ela foi até a parede onde havia um quadro vazio.

― Filho pegue a caixa que chegou ontem pelo correio. ― Falou Lara sem olhar para Lucas.
Ele obedeceu à mãe e foi até a cozinha, onde ela deixará o embrulho no dia anterior. Era uma caixa pequena, Lucas não fazia ideia do estava dentro. Sua mãe falara que ele poderia abrir quando a vela se apagasse, ao lado da caixa havia uma carta e esta era destinada a Lucas, vinha de Sandgem, mas ele não conhecia ninguém de lá. O garoto pegou a carta e a abriu.

‘Parabéns Lucas Yue,
Você foi um dos escolhidos para receber um dos três iniciais de Sinnoh este ano. Espero você aqui em meu laboratório de Sandgem para lhe entregar pessoalmente o pokemon.
Atenciosamente, Samuel Rowan’

Lucas não esperava por aquilo, ele não havia se inscrito para receber o inicial. Talvez isso fosse obra de sua mãe, ele estava feliz com a notícia, só não esperava poder sair numa jornada. A final fora a própria Sara que o havia proibido de fazê-lo por causa da gripe negra. O garoto pegou a caixa e levou até a mãe.

― Pode abrir, é um presente. ― Falou Sara, quando Lucas voltou à sala. Lucas rapidamente rasgou o embrulho e retirou de dentro do pacote um frasco com um liquido negro, nele havia um símbolo: Um ‘G’ dourado. ― Esta é a cura, use para se imunizar.

― Obrigado mãe... Mas eu não posso aceitar, se um de nós deve tomar isso, esse alguém é você!

― Não seja tolo filho, se você vai partir numa jornada, você precisa ser imune. Não me de o desgosto de ver o último membro de nossa família ser levado por este mal.

Lucas assentiu, e abriu o frasco, debaixo da tampa havia a ponta de uma agulha, era diferente aquele remédio, mas ele sabia exatamente o que fazer. Quando a cura foi anunciada na televisão, os representantes da Galáctica demonstraram como aplicar a cura. Lucas segurou firme o pote com sua mão direita, apoiando o polegar em sua base e então com um movimento rápido e preciso, ele fincou a agulha em seu antebraço esquerdo.

A dor foi imensa, seu primeiro reflexo foi tentar arrancar o objeto do braço, mas aquilo estava preso e a substância negra estava passando do pote para o seu corpo. A dor estava tão intensa que ele começou a gritar e logo não se agüentou mais de pé, caindo para frente e apoiando os braços no chão. O local que a agulha estava fincada latejava e Lucas conseguia ver algo semelhante a uma rachadura se espalhando em seu braço, perto do local aplicado.

Conforme aquela coisa se espalhava pelo seu corpo, a dor também se espalhava. A mídia dissera que o remédio tem uma ação rápida no corpo, contudo a dor era tanta que os segundos custavam a passar, mas logo as rachaduras começaram a se desaparecer e o pote, agora vazio, simplesmente caiu de seu braço. Lucas estava ofegante no chão, ele não estava mais com dor, mas ainda sentia seu corpo pulsando. O garoto tentou se levantar, mas perdeu o equilíbrio e caiu de costas com os braços abertos, ainda respirando fundo.

Lara fez uma expressão preocupada, enquanto olhava o filho ofegante no chão, mas Lucas sorriu de volta mostrando que estava tudo bem. A mulher suspirou aliviada enquanto o garoto a se levantava.

― Nossa que sensação horrível. ― Falou Lucas quando de pé.

― Não imaginava que era tão violento. Não era para menos, eles até disseram no programa que ela curava até aqueles nos estágios mais graves, expulsando a doença totalmente do corpo e criando defesas para imunizar o paciente. ― Lucas passou a mão sobre o local onde aplicara o remédio e ali havia uma marca negra. ― Combina com a marca da BCG.

Lucas riu do comentário da mãe.

― Agora devo começar minha jornada. ― Falou determinado. ― Mas... Onde fica Sandgem?

― Não se preocupe com isso, conversei com o professor por telefone e ele mandou alguém te pegar no centro pokemon, vai se arrumar. Ele já deve estar te esperando.

Sara saiu da sala e foi para a cozinha, Lucas não esperava que a mãe já tivesse tudo pronto para sua saída, desde quando ela já planejava a saída dele naquele dia? Lucas foi até o seu quarto e colocou uma calça jeans escura, um casaco azul e a boina vermelha de seu pai para acompanhar. Olhou para o espelho e achou perfeita a combinação. Pegou sua velha mochila de aventuras e colocou seu kit de acampar.

 Quando estava tudo pronto ele foi até a cozinha e preparou alguns lanches para o seu almoço. Ele então fez o café da manhã, como de costume sua mãe não estava com fome e não quis comer nada. Logo que ele terminou de se alimentar, Sara saiu da cozinha. Ela nunca foi boa em se despedir, nem quando Rodrigo teve de viajar para Jubilife ela havia se despedido. Lucas lavou a louça que ele havia usado no café da manhã e deixou a cozinha limpa como sua mãe gostava.

Assim que terminou de arrumar as coisas da cozinha, a campainha de sua casa tocou. Aquilo era uma situação estranha, Lucas geralmente não recebia visitas em sua casa. Quando o garoto abriu a porta, reconheceu na hora o visitante.

― Barry? ― Falou Lucas espantado. ― O que faz aqui?

― Como assim o que eu faço aqui? Esqueceu que nós prometemos fazer uma jornada juntos?
Aquilo que Barry estava falando era verdade, eles haviam prometido um ao outro quando eram mais novos que iriam explorar Sinnoh lado a lado, mas Lucas não esperava que fosse se concretizar, pois há cinco anos, quando Palmer, pai de Barry, visitou a cidade, ele levou o filho para morar com ele em Stark.

―Quando foi que chegou? ― Perguntou Lucas ainda pasmo pelo amigo estar ali.

― Cheguei hoje ao nascer do sol, mas não lembrava onde era sua casa. ― Barry coçou seus cabelos loiros. ― Acabei me perdendo.

Lucas começou a rir do comentário do amigo. Ele não havia mudado nada, mesmo sendo pequena Twinleaf, continuava a se perder.

― Já tem algum pokemon?

― Claro! Não me viu na TV? ― Lucas negou com a cabeça. ― Não acredito! Por eu ser mais velho que você, eu iniciei a jornada ano passado e adivinha?

― Não me diga que você ganhou a liga?         

Barry riu convencidamente e apontou com o polegar para o próprio peito.

― Eu falei para você que o dia que você fosse sair de casa eu já seria um campeão. Dito e feito. Agora vou guiar você pelo seu caminho para tentar, quem sabe um dia, me superar. ― Ele apontou para o peito de Lucas. ― Mas saiba que esse dia ainda esta longe de chegar.

― Esse dia, meu amigo, esta mais perto do que você imagina. ― Os dois ficaram sérios encarando um ao outro por alguns segundos, mas logo perderam a pose e desataram a rir.

― Esse é o espírito! Pronto para irmos?

― Claro! ― Lucas desviou do amigo para começar a jornada na frente, mas acabou tropeçando em alguma coisa e caiu no chão.

Ele olhou para o lugar onde seu pé esbarrara e ali havia caído uma moldura em cima de um monte de terra. O que aquilo estava fazendo ali? Perguntou-se o garoto enquanto pegava o retrato. O vidro do quadro estava velho e sujo, mal dava para ver a pessoa do quadro, mas na parte inferior da moldura ele conseguiu ler o nome.

‘Sara Yue’

O coração do garoto disparou ao ler o nome, ele olhou para o monte de terra e por um momento pode ver um altar negro com uma vela pela metade e apagada. Lucas se assustou ao ver aquilo e derrubou o quadro, ele olhou para Barry, mas seu amigo não estava mais ali. Sem saber o que fazer, ele começou a se arrastar para longe do monte de terra. Seus olhos se encheram de lagrima.

― Não pode ser. ― Falou ele relutantemente.

― Lucas! ― Gritou alguém no final da rua, o garoto se virou para ver de onde vinha a voz e ali estava Barry acenando. ― Você não vem?

Lucas olhou novamente para o monte de terra e não viu nada, devia ter sido só sua imaginação. Nem mesmo o quadro estava mais ali. Ele então se levantou e sentiu envergonhado de ter quase chorado em frente ao velho amigo.

― Estou indo! ― Gritou em resposta.

Sara apareceu na janela da casa e desejou boa viajem, enquanto Lucas corria para alcançar Barry.

― Não vai ficar quebrando a perna logo no começo de nossa viajem certo?

― Claro que não. ― Respondeu vermelho de raiva e vergonha e Barry riu da resposta de Lucas. O que fez este apenas ficar mais vermelho.

― Vamos logo para o centro, seu guia para Sandgem já deve estar cansado de esperar!

Os garotos continuaram seu caminho pela cidade, Barry acabou se perdendo como de costume e Lucas teve de lhe mostrar o caminho, logo eles notaram o telhado vermelho vivo único dos centros pokemon. A dupla se animou com a visão e apertaram o passo. Quando estavam para chegar ao local. Barry começou a correr e gritou enquanto se afastava.

― Vou indo na frente! Tenho que fazer uma checagem nos meus pokemons antes de partir.
Lucas não quis ficar para traz e correu para tentar alcançar o amigo, mas Barry era rápido demais e não parou mesmo quando passou por Julia, quase derrubando a garota. Lucas preocupado parou para ver se a Joy estava bem.

― Esse Barry! ― Falou Julia balançando a cabeça negativamente. ― Mal voltou e está apressado como sempre.

― Desculpe por isso Joy. ― Falou Lucas abaixando a cabeça. Fazendo a mulher sorrir.

― Não há o que se desculpar, não aconteceu nada. Já te falei que a crise da gripe negra terminou! Agora nada mais me derruba!

― Sim é verdade, hoje mesmo eu tomei a vacina para me imunizar! ― Falou Lucas com orgulho, tentando não pensar na imensa dor que foi tomar aquela injeção. ― Agora vou começar minha jornada!

― É mesmo? Sua mãe deve estar orgulhosa! Vá logo atrás do Barry, eu tenho que ir até o hospital ver se eles estão precisando de algo por lá. Se precisar de alguma coisa ali no centro, não deixe de pedir para Miriam. Até logo. ― Se despediu Julia enquanto retomava sua caminhada.

Mesmo a Julia sendo a Joy de Twinleaf, ou seja, uma especialista nos cuidados de pokemon. Ela ainda ajudava os médicos da cidade com os casos de gripe negra, um verdadeiro exemplo de sobrevivente, ela até ajudara o pai de Lucas, mas mesmo assim o homem não resistiu e acabou tendo que partir deste mundo, deixando a mulher e o filho. Lucas balançou a cabeça lateralmente, não era dia de ficar lamentando o passado, ele estava iniciando sua jornada, devia de ser o dia mais feliz de sua vida.

O garoto então foi em direção à porta do centro, mas quando estava para entrar no prédio, reparou que a porta automática não abrira para ele.

― Que estranho... Barry acabou de passar por aqui... ― Lucas se lembrou do velho habito do amigo de pregar peças. ― Então velhos hábitos não mudam mesmo? ― Provavelmente Barry devia ter desligado a porta. Então Lucas forçou a abertura da mesma.

Quando entrou no centro, percebeu que o lugar estava mal iluminado. Algumas lâmpadas estavam queimadas, Miriam devia não estar fazendo um bom trabalho para a Joy. Pelo menos o lugar estava limpo e organizado.

Barry estava recolhendo suas pokebolas da maquina de analises, as luzes estavam verdes, os pokemons dele estavam bem, era uma boa noticia. O garoto estava pronto para partir, Lucas foi correr em direção ao amigo para tirar uma satisfação da porta, mas no meio do caminho, Lucas pisou em alguma coisa.

Ele olhou para baixo e viu uma manta de hospital jogada no chão. Ela estava com uma mancha negra, só podia significar uma coisa: Alguém infectado com a gripe negra havia estado ali. Mesmo o garoto estando imune a doença, não permitiu que ele não se assustasse, afinal era costume as testemunhas evitarem contato com os infectados para prevenir o contagio.

Vagarosamente Lucas recuou para sair de cima da manta, o que ela estava fazendo ali? Perguntava-se o garoto, mas ele logo percebeu que ela não era única e o lugar, na verdade, estava cheio destas mantas espalhadas. O garoto começou a respirar com dificuldades, aquilo não podia ser real.

Ele fechou os olhos e respirou fundo para se acalmar. Quando ele reabriu os olhos, percebeu que fora tudo obra de sua imaginação, o cômodo estava limpo e não havia nada no chão.

Lucas escutou alguns passos de pessoas se aproximando e na escada surgiu Miriam acompanhada por alguém que o garoto não reconheceu, a mulher entregou um pote para o estranho, aquilo só podia ser uma dose da cura, era igual ao que o garoto havia tomado naquela manhã. O homem percebeu Lucas no local e questionou ele.

― Você é Lucas? ― Lucas assentiu. ― Ótimo, eu sou Riley, serei seu guia para Sandgem, pronto para iniciar sua jornada.

― Pode apostar que ele esta. ― Gritou Barry. E Lucas apenas sorriu, seu amigo estava certo, porém Riley continuou encarando ele.

― Então, esta ou não pronto para sua jornada?

Riley provavelmente queria ouvir aquilo do próprio Lucas, ele não ligava de ter que repetir o que o amigo dissera e gritou.


― Sim, é como Barry disse! Pode apostar que sim!


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4 comentários:

  1. Ei,tudo bem?Acabei de ler o cáp pelo Nyah! e vim comentar aqui porque acho melhor.Mas bem,o cáp ficou maneiro,mas me surpreendi com o Barry ser campeão.

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    1. Tudo ótimo e você?
      Prefiro receber comentários aqui mesmo, deixa o blog mais ativo :)
      Também me surpreendi com o Barry sendo campeão, principalmente por causa do Riley ter visto na tv no cap 1 que a liga ainda estava nas semi finais... Bem algo estranho esta acontecendo, mas vou deixar vc resolver os mistérios do desse cap ^^

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  2. Demoreeei, mas to aqui pra comentar.
    Gostei bastante do cap, assim como o anterior ele manteve a qualidade de escrita e o clima sombrio que permeia por esta fic. Só uma correção, eu acho que no início você acabou trocando o nome da mãe do protagonista, colocando Lara ao invés de Sara, mas fora isso o cap está perfeito, sem mais nada pra comentar.
    Eu to adorando esse clima sombrio, doentio e misterioso que está vagando por sua fic, Começar com uma família saindo de um funeral (não sei exatamente como esse ritual japones se chama) foi angustiante, senti só por esse começo que Lucas irá passar por vários perrengues até conseguir ser campeão da liga.
    Outra coisa que adorei é o fato de Lucas estar vendo coisas, não sei como você irá trabalhar isso, ele pode ser simplesmente um garoto que teve um trauma, no caso a perda do pai por uma doença horrível ou um menino com o início de algum transtorno psiquiátrico. Ambas seriam duas vertentes bem bacanas de serem trabalhadas.
    Me surpreendi também com o fato de Barry já ser campeão da liga, talvez o fato de sempre acabarmos ganhando deles nos jogos nos faz considerá-los personagens de certa forma inferiores. Ter um amigo/rival como companheiro de viagem gerará trará muitas experiências positivas para o garoto. Minha mente já viu ele como um protetor também e mais uma vez não posso deixar de pensar que Lucas irá passar por muitos problemas.
    Obs: Acabei de terminar de ler os livros de Maze Runner. Adorando ver essas doenças apocalípticas devastando o planeta.

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  3. Hi Carol! Que bom ver você por aqui!
    Obrigado por avisar do meu erro com a Sara/Lara, logo corrijo :)
    Adoro este clima sombrio, trabalhar nele é divertido.
    Esse Lucas vendo coisas... Mas que parte de suas visões é a real? Cuidado com a realidade ;)

    Mazelas Runner? É bom?

    Até mais Carol!

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