terça-feira, 20 de setembro de 2016

Capítulo 5 - Fuga e Perigos (Dawn)

Mais um ano, mais três treinadores escolhidos, cuidar dos pokemon ano a ano era uma tarefa simples e até divertida, mas Dawn sempre ficava com um vazio em seu coração quando os via partir todos os anos com seus novos treinadores. Ela gostava deles, mas não era apenas a dor de vê-los partir que assombrava a garota, ela queria ser como aqueles que vinham buscar os pequenos todo ano, ela queria ser uma treinadora. Ela era filha do renomado professor Rowan e isto a tornava quase que sua assistente.

Todo ano ela pedia ao pai para poder ser uma dos treinadores, mas ela era jovem demais era a resposta. Um ciclo que era para acabar aos seus 15 anos, mas de novo sua chance escapava pelas suas mãos, seu pai falava que a concorrência aquele ano estava muito alta, podia até ser verdade, mas Dawn sabia que era só uma mentira do pai, pois soube que por algum motivo o filho do senhor Fuego, um dos escolhidos, havia recusado seu inicial e Rowan em vez de dar o pokemon então para Dawn, ele o entregou para Ivson, um garoto qualquer de Jubilife. Quando ela confrontou o pai com aquela noticia, ele não soube contra argumentar e prometeu que ela seria uma das escolhidas do próximo ano.

Parecia ter acabado bem, contudo algo que ninguém esperava aconteceu, a gripe negra surgiu em Sinnoh, uma doença tão contagiosa e tão letal, que dizimou mais da metade da população do oeste da região em poucos meses, um mal grande o suficiente para transformar promessas em mentiras. Rowan não chegou a pegar a doença, nem mesmo Dawn, mas ela os afetou, Rowan nunca nunca deixaria Dawn sair em uma jornada com o continente naquele estado.

A calamidade causada pela doença fez com que fosse cancelada a distribuição dos iniciais naquele ano, destruindo assim as chances de Dawn se tornar a treinadora que desejava ser, mas com a descoberta da cura, o dever de dar os iniciais voltou para Rowan e as esperanças de Dawn se reacenderam, logo eles receberiam a medicina, ela poderia finamente realizar seu desejo de seguir seu caminho em sua jornada e o dia finamente havia chegado. Um representante da galáctica chamado Fábio trouxe para Dawn e Rowan uma dose da cura para cada por seus trabalhos nos estudos da doença.

Rowan colocou os tubos sobre a mesa da cozinha, ele ia aplicar nele mesmo primeiro, ele abriu a tampa do frasco e quando levantou a mão direita para injetar a agulha o telefone do laboratório tocou.

― Quer que eu atenda pai? ― Perguntou Dawn. Rowan colocou o pote de volta na mesa.

― Não, pode deixar que eu mesmo atendo. ― O homem se levantou e foi até o aparelho. ― Alo, laboratório de Sandgem, Rowan falando... A sim Lucas, não se preocupe, vou ver alguém para pegar você aí. ― Rowan pegou sua pokedex e digitou alguma mensagem para alguém. Logo o aparelho apitou, provavelmente a resposta. ― Lucas, um amigo meu vai pegar você no centro da sua cidade amanhã de manhã... Boa sorte, até amanhã.

Rowan desligou o aparelho e iniciou sua caminhada de volta a mesa, ele provavelmente estava falando com um dos treinadores escolhidos. Turtwig já havia sido levado para Eterna, faltava Chinchar e Piplup, qual deles esse garoto, Lucas, escolheria? Se perguntou a garota. Rowan chegou a mesa e com um rápido movimento ele aplicou a cura em si mesmo, o homem se retraiu e fez uma expressão de dor que Dawn nunca havia visto, de fato falavam que a cura era violenta, para descontrair ela tentou desviar a atenção do pai da dor.

― Qual será que vai ser o inicial que irá sobrar para mim? ― Perguntou olhando para a maleta no canto da mesa.

Rowan respirou fundo e bateu na mesa com força. Dawn se assustou e voltou a atenção ao pai.

― Nenhum. ― Ele respirou fundo novamente. ― Você não é uma das escolhidas.

Dawn não acreditara nas palavras do pai, ele havia dito que ela seria uma das escolhidas.

― Mas...

― Nada de mas! ― Cortou Rowan, ele urrou de dor enquanto o pote da cura vazio caia de seu braço. ― O continente não é mais o mesmo, não vou permitir que você saia numa jornada com Sinnoh neste estado.

― Pai não existe mais perigo! ― Gritou Dawn inconformada. ― Esta cura nos deixa imune contra a gripe. ― Falou apontando para a outra dose sobre a mesa.

― A questão não é esta Dawn Rowan! ― Rowan a chamou pelo nome completo, ele só o fazia quando estava irritado com a filha. ― Acha mesmo que os únicos perigos que existem no mundo são relacionados e esta doença? ― Ele pegou o pote. ― Isto aqui não lhe protege contra tudo sabia?

― Eu já não sou mais criança! Tenho 16 e você oferece pokemon para treinadores mais jovens do que eu!

― Não sou o responsável por aqueles que dou os iniciais, não cabe a mim decidir por eles, mas eu como seu pai não irei permitir que saia nesta viagem!

Dawn percebeu a muralha formada em volta da opinião de Rowan, sua inconformação passou a ser tristeza.

― Mas você prometeu. ― Falou com uma lagrima começando a escorrer de seu olho.

― O mundo mudou Dawn. ― Comentou Rowan mais calmo. ― Entenda que outra doença como esta pode surgir a qualquer minuto.

― O que aconteceu foi um desastre, não vai acontecer de novo. ― Dawn lembrou de todos os anos que não pode pegar um dos iniciais e percebeu que talvez o pai nunca fosse lhe dar a chance de ser uma das escolhidas. ― O mundo continua o mesmo, quem mudou foi as pessoas. Amanhã estou saindo em minha jornada. ― Dawn sabia que estava desafiando o pai, ela não iria mais esperar ele cumprir suas promessas.

― Eu não vou lhe dar um inicial. ― Falou Rowan ainda calmo.

― Não precisa, a maioria das pessoas saem em jornadas sem um de seus inicias. ― Receber um dos três iniciais de Rowan era uma grande honra em Sinnoh, muitos treinadores sonhavam em iniciar suas jornadas com um dos três pokemon especiais, mas apenas três treinadores por ano tinha tamanha sorte, a grande maioria tinha de se virar com alternativas, era comum os novos treinadores receberem pokemon de seus pais para iniciar uma jornada.

― Vai andar por ai sem um pokemon? Não sabe que isto é perigoso?

― Sei, mas o único perigo que me impedia minha jornada era a gripe negra, mas agora ela não vai mais me afetar.

Rowan olhou para o pote que estava em sua mão.

― Dawn, o que você esta dizendo é irresponsável e uma loucura. ― Ele balançou o pote com a cura. ― Este remédio pode curar a gripe negra e imunizar as pessoas contra ela, antes dele existir você era uma testemunha como qualquer outra, ele não muda o que somos. Enquanto você não entender isto, não vou permitir que você o tome. ― Rowan fechou sua mão sobre o pote e o guardou em seu bolso.

― Pai, me de o remédio. ― Pediu Dawn com seriedade.

― Não, estou impedindo uma loucura. ― Dito isto ele saiu da cozinha e bateu a porta atrás de si.
Aquilo foi apenas o começo da discussão, mesmo Dawn gritando para o pai lhe dar a cura, ele não o fez. Novamente ele estava a impedindo de fazer o que queria, no meio de toda aquela injustiça uma raiva nasceu no amago de Dawn e no ápice de seus gritos, Dawn acabou declarando ódio ao pai, era o que ela realmente estava sentindo, mas ao dizer aquilo se arrependeu e Rowan a mandou ir para o quarto pensar em suas ações, porém já não havia mais o que pensar, ela já tinha tomado sua decisão no inicio de toda aquela discussão.

Dawn iria sair em sua jornada, talvez realmente fosse loucura, mas ela sabia que a distribuição da cura já havia começado, era só ela chegar em Jubilife antes de contrair a gripe negra estaria tudo bem, ela passou o ano como testemunha, não ia ser agora que ela se tornaria uma infectada. Não tinha razão para ter medo. Foi para seu quarto como o pai pediu, não para refletir sobre o que falou ao pai, mas para se preparar para sair no dia seguinte. Ela se arrumou de acordo com o guia de treinadores, montando assim uma mochila com trocas de roupa e comida. Foi dormir cedo aquele dia, se queria que seu plano funcionasse, ela teria de sair bem cedo na manhã seguinte, antes de Rowan acordar.

Apesar de ter ido para a cama cedo, ela acabou não conseguindo dormir muito durante a noite. Seu nervosismo atrapalhou na hora de dormir, estava acordada quando o sol nasceu. Quando os primeiros raios de luz atravessaram sua janela, ela já estava se levantando, colocou sua roupa e pegou a mochila. Dawn saiu de seu quarto fazendo o menor barulho possível e se direcionou para a porta da frente do laboratório, quando chegou na sala de entrada quase gritou de susto ao ver Rowan sentado em sua poltrona lendo um livro, não era costume dele ler aquele horário, parece que não foi apenas a Dawn que teve problemas com o sono.

Sorte da garota que ele não havia percebido sua presença no recinto, mas tentar sair pela porta principal iria chamar a atenção dele com certeza, ela teria de sair por uma janela, foi até a cozinha, onde tinha uma grande janela e ficava no andar térreo do laboratório e abriu o vidro para sua jornada, porém antes de sair percebeu a maleta dos iniciais no canto da mesa.

― Um inicial? Por que não? ― Falou ela para si mesma enquanto caminhava para perto da maleta, aquilo nunca tinha passado pela cabeça dela. Sim ela queria iniciar sua jornada, mas roubar um dos iniciais? Ela abriu a maleta e lá estavam as pokebola de Chinchar e Piplup. ― Bom dia meus pequenos. ― Dawn tocou as esferas e se lembrou da promessa que o pai fizera no ano anterior. ― Era para um de vocês ser meu e você parecia ser o mais animado com a ideia de eu me tornar uma treinadora. ― Falou pegando a pokebola de Piplup.

Rowan não aprovaria Dawn pegar aquele pokemon, mas nada do que ela estava fazendo seria aprovado pelo pai de qualquer forma. Se ela ia realmente fugir para ser uma treinadora,  então que fosse com um dos iniciais! Dawn guardou a pokebola em sua mochila, fechou a maleta e foi de volta até a janela, mas antes de sair viu um bloco do folhas na prateleira ao lado da janela. Por um momento passou pela cabeça dela a preocupação do pai quando ele percebesse que ela não estava mais ali e acreditou ser melhor deixar uma carta de despedida para Rowan. Pegou um papel no monte e escreveu algumas palavras ao pai.

'Pai cansei de ver apenas outros treinadores saindo em suas viagens enquanto eu sou obrigada a ficar presa aqui em casa, cansei de ser apenas uma testemunha da minha própria vida. Estou pegando este pokemon e vou sair na minha própria jornada, não importa se você permite ou não, eu não temo a gripe negra, vou encontrar minha própria cura. Adeus.'

Assim que ela terminou de escrever, Dawn dobrou o papel e colocou dentro da maleta, no local onde estava a pokebola de Piplup, ali com certeza ele iria achar o bilhete. Agora sim estava tudo pronto, Dawn foi até a janela, a abriu e pulou para o lado de fora, antes de partir encostou a janela e se direcionou rua a cima, ela manteve um ritmo rápido de caminhada enquanto estava na cidade, tinha medo de algum morador a visse e a levasse de volta para casa. Contudo Dawn não correu, não queria chamar atenção para si.

Logo ela já estava chegando no inicio da rota 202, já estava fora de Sandgem, ela não ia voltar atras, a jornada que ela tanto sonhou estava para começar. Respirou fundo os ares de Sinnoh e se direcionou para o norte, seu destino era sua cidade natal, Jubilife, onde ela conseguiria a cura para a gripe negra.

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